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Científico: do aperfeiçoamento profissional à defesa jurídica Educação continuada, Programa Diretrizes, Comissão
de Assuntos Políticos, conflitos de interesse e Código Nacional de Saúde
foram os temas da reunião do Conselho Científico da Associação Médica
Brasileira realizada nesta quinta-feira, dia 20, na sede da AMB, em São Paulo.

No início do encontro, o professor Henrique
Walter Pinotti, fundador do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, propôs
às Sociedades de Especialidade que os médicos com mais de 70 anos sejam
isentos das contribuições associativas e das inscrições nos congressos e
demais eventos da área.
Em seguida, o presidente da entidade, José
Luiz Gomes do Amaral, agradeceu a participação das Sociedades de Especialidade
no processo de educação continuada que resultará na concessão do Certificado
de Atualização Profissional aos especialistas, a partir de 2011.
"São quase 4 mil eventos cadastrados
desde outubro e mais de 2,4 mil já têm pontuação no calendário oficial da
Comissão Nacional de Acreditação", destacou Amaral. "Estamos
agradavelmente surpresos com esta notável adesão e com o esforço das
Sociedades em benefício de seus especialistas."
Para o presidente do Conselho Federal de
Medicina, Edson de Oliveira Andrade, poucas classes buscam de forma tão
incessante e competente o aperfeiçoamento profissional. "Estes números
demonstram a pujança da medicina e a busca constante pela qualidade da assistência",
avaliou.
Programa Diretrizes
Na seqüência, Moacyr Cuce Nobre, do comitê técnico
do Programa Diretrizes, informou ao Conselho Científico que, recentemente,
foram enviadas novas 120 diretrizes para editoração, conforme convênio
firmado entre a AMB e o CFM, totalizando 240 já finalizadas.
Ele relatou também que as operadoras e
seguradoras de saúde têm produzido diretrizes, principalmente relacionadas a
novas tecnologias, e procurado a anuência da Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), que, por sua vez, consultou o Programa Diretrizes.
O comitê técnico explicou, então, que a Câmara
Técnica de Diretrizes, que já conta com a participação da Unidas e da Unimed
do Brasil, é o fórum adequado para essas discussões, inclusive para as sugestões
de temas pelas empresas conforme a demanda constatada.
Atuação política
Ainda durante o encontro, o 2º tesoureiro da
AMB, Luc Louis Maurice Weckx, fez um breve relato sobre os trabalhos da Comissão
de Assuntos Políticos AMB/CFM, cujo principal objetivo é atuar na origem dos
Projetos de Lei, resoluções e portarias em defesa dos interesses da medicina e
dos pacientes.
Após a discussão, iniciada em outubro de
2005, das proposições mais recentes e das polêmicas, serão apostilados 80
Projetos de Lei contendo a posição das entidades nacionais e das Sociedades de
Especialidade afins.
Conflitos de interesse
Outro assunto debatido pelo Conselho Científico
foi a influência da indústria farmacêutica e de materiais e equipamentos
sobre a prática médica. O corregedor do CFM, Roberto Luiz D’Ávila, afirmou
que esta é uma questão incansavelmente discutida em todos os países do mundo
e que 30% do faturamento das empresas são investidos em publicidade.
"Sabemos que nos preços dos medicamentos
estão embutidos os recursos e o tempo investidos em pesquisa, mas temos que nos
preocupar se 25% a 40% desses valores voltam para os médicos em forma de
brindes e, em alguns casos, presentes como viagens turísticas", advertiu.
"Promoção e comércio são tarefas da
indústria; a nossa é garantir a saúde do paciente, com quem temos profunda
relação de confiança, o que inclui brigar por remédios mais baratos",
acrescentou o corregedor.
Defesa jurídica
O Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC)
apresentou ao Conselho Científico a proposta de uma campanha nacional pela
elaboração de um Código Nacional de Saúde, para que os médicos processados
não continuem reféns das interpretações de quatro instrumentos: os Códigos
Civil, do Consumidor, Penal e de Ética Médica.
Roberto Saad Jr., ex-presidente do CBC, realçou
que o número de acusações do chamado "erro médico" vem aumentando,
em especial na área cível, que envolve indenizações financeiras.
"Apesar do baixo índice de condenações, cerca de 3,5%, os profissionais
inocentes chegam a perder, em média, R$ 15 mil e 26 meses, sendo que alguns têm
prejuízo de R$ 100 mil e ficam envolvidos até 10 anos nos processos",
denunciou.
O presidente da AMB lembrou que a Associação
Paulista de Medicina, entidade que presidiu de 1999 a 2005, criou um
departamento jurídico específico para dar apoio aos sócios diante de tais
situações. "Vamos trabalhar em conjunto com as Sociedades de
Especialidade para estender esta iniciativa a todo o País", disse Amaral.
Edson Andrade acredita que "o número de
erros é maior do que os médicos desejariam, porém, muito menor do que se tem
propagado". O presidente do CFM enfatizou, ainda, que "a melhor defesa
do profissional é a relação médico-paciente alicerçada na confiança e na
verdade".
De acordo com o diretor científico Giovanni
Cerri, esta preocupação passa também pela formação do médico, incluindo a
qualidade e o número de escolas. Por fim, o secretário-geral da entidade,
Edmund Chada Baracat, sugeriu que a AMB, o CFM e as Sociedades de Especialidade
organizem um fórum sobre o tema, quando seriam definidas estratégias de atuação
em âmbito nacional.
Fonte: www.amb.org.br
21/07/2006
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